Enem: uma competição injusta
Antes de qualquer coisa, gostaria de deixar bem claro que o artigo a seguir não incentiva o abandono escolar, a não realização da faculdade, dos estudos ou do Enem.
Desejo apontar a desigualdade dentro dessa competição — e não com o objetivo de fazê-lo desistir, mas sim de incentivar você a estudar e lutar ainda mais para passar por essa etapa, independentemente de quantas vezes precise tentar, ou até para melhorar o caminho dos vestibulandos do futuro.
Dito isso, sente-se e tenha uma ótima leitura.
Se todos estamos submetidos a passar mais de cinco horas sentados respondendo às mesmas 180 questões e elaborando a mesma redação, por que não temos os mesmos recursos de estudo, o mesmo tempo, as mesmas oportunidades e dificuldades?
Estou finalizando o 3° ano do ensino médio e, com isso, vem a pressão do Enem. Estudo em período integral, numa carga horária em que disciplinas como geografia, sociologia, filosofia, química e biologia foram abolidas. Bem na minha vez... sacanagem!
Com o Novo Ensino Médio, matérias essenciais foram cortadas — e isso mostra como até a própria escola pública já começa desigual. Mesmo antes do Enem, o jogo não é justo.
O Enem é um vestibular que coloca todos os estudantes do Brasil na mesma sala, com a mesma prova. Mas: a educação foi diferente, a estrutura foi diferente, e as oportunidades também foram diferentes.
De acordo com o Inep, a diferença média de nota entre alunos de escolas públicas e privadas passa de 100 pontos em várias áreas do exame. Isso já mostra como a régua da “igualdade” no Enem é, na prática, profundamente desigual.
Além disso, estudantes de vários contextos sociais são obrigados a esperar um ano — ou mais — para saber se poderão ou não agilizar suas vidas acadêmicas. É um tempo de espera extenso para um resultado incerto.
Isso é justo?
“Mas Victória, o resultado da prova depende do esforço de cada um!”, algumas pessoas pensam assim. Mas eu gostaria de explicar algo.
Durante o ensino médio, por condições pessoais, milhares de estudantes precisam trabalhar ou fazer algum curso extra, e não conseguem focar totalmente nos estudos como aqueles que não têm essas obrigações. Mesmo que existam as cotas para alunos de escolas públicas, não faz sentido haver mais vagas para todos os participantes do que para esses estudantes, até porque a maioria dos brasileiros estuda em escolas públicas.
Segundo o Censo Escolar, mais de 80% dos alunos brasileiros estão em escolas públicas — e, ainda assim, o sistema trata esse grupo como exceção, e não como regra.
Esse discurso sobre o “esforço individual” vai por água abaixo quando lembramos que alunos de escolas privadas têm mais chances de fazer cursinhos, aulas de reforço e simulados, enquanto os de escolas públicas dependem do próprio esforço e de recursos limitados.
E quando o Estado obriga as escolas a se preocuparem mais com o Saeb do que com o Enem, por ser isso o que realmente lhes traz benefício.
Quando livros, apostilas, videoaulas e simulados têm alto custo, quem pode pagar tem mais facilidade para se preparar — e isso pode ser decisivo para alcançar uma nota alta, aprofundando ainda mais a desigualdade entre estudantes ricos e pobres.
Enquanto o Enem continuar medindo oportunidades desiguais com a mesma régua, ele vai seguir sendo o retrato fiel do nosso país: meritocrático no discurso, desigual na prática.
Mas ainda assim, a mudança começa em nós — nas vozes que não se calam, nos estudantes que não desistem, e em cada um que transforma indignação em força pra lutar por uma educação verdadeiramente justa.
Por isso, é essencial que o Ministério da Educação, junto das Secretarias Estaduais, amplie o acesso a plataformas públicas de estudo e invista na formação de professores e infraestrutura escolar, para que todos os alunos possam competir em condições reais de igualdade.
Só assim o Enem deixará de ser uma prova de resistência e passará a ser uma verdadeira porta para o futuro.
⊹ ࣪ ﹏𓊝﹏𓂁﹏⊹ ࣪ ˖
Espero que isso o tenha relaxar mais sobre esse assunto, já que a educação que estamos inseridos não ajuda tanto. Boa sorte para todos nós, nos dias 9 e 16 de novembro (iremos precisar).
Se quiser ver os bastidores ou ficar por dentro de novos artigos, confira meu Instagram: @vixsantosz
Um beijão, se cuide e seja gentil consigo mesmo!💌

você expressou exatamente oque eu senti ano passado, parabéns pelo artigo, SENSACIONAL!!!
ResponderExcluirAcho que você divou ainda mais quando finalizou seu artigo com a conclusão no estilo enem
ResponderExcluir